miércoles, 23 de abril de 2008

El milagro del desierto en el Estado de Catar

Cristovam Buarque

O milagre está na decisão do Estado do Qatar de criar uma base de sustentabilidade para a economia do país, quando o petróleo e o gás se esgotarem.

O governo percebeu que, sem combustível fóssil, o deserto não terá outro recurso natural para dinamizar a economia.

A industrialização chegaria tarde, não conseguiria concorrer com o resto do mundo, nem disporia dos recursos humanos necessários. Além disso, é perfeitamente perceptível que não é mais a montagem de produtos industriais que gera renda.

Até os anos 50, para cada dez reais de renda, seis eram produzidos manualmente. Hoje, apenas um em cada dez reais vem da produção manual. Nove vêm do trabalho chamado imaterial. O Qatar compreendeu que o aumento substancial do preço do petróleo é ilusório.

Primeiro, porque se baseia em um dólar que se desvaloriza até mais depressa do que a valorização do preço do barril de petróleo. Segundo, porque diferentemente dos governos que só pensam no curto prazo da próxima eleição, o governo do Qatar assumiu que o petróleo é uma riqueza efêmera, e que o povo terá vida além das reservas. Com base nessas duas premissas, decidiu transformar a economia para o pós-petróleo e escolheu o principal e permanente recurso do futuro: o conhecimento.

Foi com essa visão estratégia de longo prazo que o governo decidiu fazer o "milagre do deserto". Criou, para isso, a Fundação Qatar. Iniciada em 1995 pelo chefe de Estado, xeque Hamad Bin Khalifa Al-Thani, é dirigida desde então por sua esposa, Mozah Bint Nasser Al-Misnad.

A fundação é orientada pelo princípio de que o maior de todos os recursos de uma nação é o potencial do povo. Objetiva desenvolver esse potencial, por meio de uma rede de centros dedicados à educação progressiva, a pesquisas em ciência e tecnologias e ao bem-estar da comunidade.

Hoje, a Fundação Qatar já conseguiu implantar, em pleno deserto, onde está Doha, uma "cidade da educação". Um colosso de edificações modernas, desenhadas por grandes arquitetos do mundo. Já funcionam: a Escola de Arte e Design Industrial, da Universidade de Virgínia; a Faculdade de Medicina da Universidade de Cornell; a Escola de Engenharia Agrícola e Mecânica pela universidade do Texas; o Curso de Relações Internacionais e Ciências Políticas pela Universidade de Georgetown, o Curso em Ciência da Computação, Economia e Business pela Universidade Mellon Carnegie, o Curso de Jornalismo pela Universidade NorthWestern de Illinois e ainda o Curso de Enfermagem pela Universidade de Calgarie, do Canadá e outra de Engenharia da North Atlantic, também do Canadá.

Para esses cursos, são selecionados alunos de qualquer parte do mundo, desde que 40% sejam do Qatar. Todos os cursos são pagos, mas a Fundação Qatar garante bolsas integrais para todo aluno que necessite. Para financiar tudo isso, diz-se que a Fundação Qatar reserva os recursos oriundos de um dos poços de gás de que o país dispõe. Toda renda originária desse poço seria destinada especificamente para financiar os programas de educação.

Assim, estão transformando um recurso não renovável – o petróleo e o gás – no mais rentável, mais permanente e mais moderno de todos os recursos econômicos para o futuro: o conhecimento. Esse é o milagre do deserto do Qatar, que pode ser reproduzido em outros países que queiram usar seus recursos com a mesma eficiência.

(Eso si se llama: SEMBRAR EL PETROLEO )